- Olá, coisa boa já vais? - Sim, até amanha. - Mas espera, olha vais sozinho? - Sim. - Precisas de algo? Queres falar? Tas distante, fala comigo, quero ajudar-te, compreender o que estas a passar a sentir. Porque não vamos os dois sair e falamos sobre isso? - Hum é melhor não … - Que foi tens medo? Eu não mordo, nem te tiro pedaço, anda vá! - Mas eu quero ir mesmo é para casa. - Olha e que tal se fossemos para minha casa sempre é mais aconchegado sem gente, sem barulho, ninguém nos incomodaria, faço qualquer coisa num instante para comermos que dizes? - Não quero causar transtornos quanto mais incomodar. - Oh tonto, tu não me incomodas, quando eu precisei tu ajudaste-me agora eu quero ajudar-te. Que vais tu fazer para casa sozinho com este frio? - O frio? Eu acabo bem com o frio! Um cobertor e uma boa taça de vinho… - Mas fica sempre faltando qualquer coisa! - Ai sim e o que? - Calor humano. - Hum tens razão. - Então e porque é que não apareço lá, assim já não fica a faltar nada. - Hum, não a ideia é apetecível mas estou frágil…ainda. E tudo porque ainda tenho o cheiro preso às mãos. Ainda trago o teu sorriso pendurado na memória. Ainda te ouço a voz nos momentos de dor, ainda te tenho as mãos a segurarem as minhas. Ainda tenho o teu olhar de algodão doce, a vigiar-me. E em todos os dias, estas lágrimas contidas a quererem rebentar-me o peito. Porque não há um dia que não lembre. Que não pense: se estivesses aqui, mesmo sabendo que estás. Nesse estar sem estar. Nessa ausência presente, ou nessa presença ausente que se chama saudade. E a ti e só a ti linda ficas no coração não em plenitude mas ficas. Mas neste instante tudo o que te posso dar são apenas palavras, são tudo o que tenho. Tu sabes. OBRIGADO.